João dos Santos

 

Médico e psicanalista português, João dos Santos nasceu no ano de 1913. Foi um dos cofundadores da Sociedade Portuguesa de Psicanálise, juntamente com Pedro Luzes e Francisco Alvim.


Foi investigador em Psicologia Genética e considerado um suprassumo na área da psicopedagogia, possuindo muitos seguidores do seu trabalho e obra.


Pensador e homem de ação, o seu interesse científico e prático focou-se essencialmente na criança e nos seus problemas e perturbações em ensino especial.


Revolucionou os caminhos da psiquiatria infantil até então praticada em Portugal, baseada nos conhecimentos psicanalíticos aplicados à criança. Teve como preocupações básicas a compreensão do funcionamento mental infantil, a origem das suas perturbações, as formas de revelação dos sintomas e seu significado, visando não só a terapia compreensiva das crianças como também a prevenção das situações perturbadoras.


Foi notória a sua ação no campo da prevenção e da promoção da saúde mental infantil, tendo o seu nome ficado ligado à criação de diversas instituições particulares com carácter preventivo, das quais se salientam os centros psicopedagógicos da Voz do Operário e do Colégio Moderno, o Centro Helen Keller, a Associação Portuguesa de Surdos, o Instituto de Apoio à Criança, entre outros.

 

João dos Santos foi o criador da moderna Saúde Mental Infantil em Portugal e o grande impulsionador da viragem da Psiquiatria Infantil que de uma especialidade enraizada na Psiquiatria de adultos passou a uma especialidade autónoma.

 

Desenvolveu um olhar novo sobre o valor da arte no desenvolvimento da criança e sobre a educação na família, na escola e na comunidade, criando concepções e ensinamentos originais e modos inovadores de formação de pais e professores.

Como democrata lutou durante o fascismo pela criação de serviços de saúde mental de qualidade que eram então verdadeiros desafios políticos e que continham a semente da prática e dos princípios científicos que preparavam o futuro.

 

O seu percurso académico e a sua sólida formação em Psiquiatria e Psicanálise permitiram-lhe proceder a rigorosas pesquisas sobre a criança. João dos Santos criou uma obra escrita inovadora concretizada numa obra institucional em prol da protecção materno-infantil e da prevenção e intervenção em Saúde Mental Infantil. Obra que ainda hoje ajuda a compreender as causas mais profundas do sofrimento psíquico e das patologias da criança, do adolescente e do jovem.

 

João dos Santos começou por ser professor de Educação Física, licenciou-se depois em Medicina, tendo logo orientado o seu interesse e formação para a Psiquiatria. Trabalhou com Vítor Fontes no Instituto António Aurélio da Costa Ferreira e com Barahona Fernandes no Hospital Júlio de Matos onde foi um dinamizador incansável da modernização das clínicas infantis.

 

Por motivos políticos (ligação ao Movimento de Unidade Democrática) foi afastado do serviço público.

Partiu para Paris em 1946 onde sob a orientação de Henri Wallon foi investigador no Centro de Pesquisas Científicas de França (C.N.R.S.) no Laboratório de Biopsicologia da Criança. Trabalhou com G. Heuyer, J. Ajuriaguerra, H. Ey, A. Thomas. Trabalhou também no Serviço de G. Heuyer, primeiro professor de Neuropsiquiatria de França, no Hospital “Enfants Malades” e no Centro Alfred Binet, dirigido por Serge Lebovici. Aqui, entre outros, trabalhava também René Diatkine que seguia como Lebovici as novas correntes psicodinâmicas e se tornaram psicanalistas. Lebovici foi o pioneiro da Psicanálise infantil em França.

 

Colaborou ainda com M. Bachet, psiquiatra da penitenciária de Fresnes.

 

Regressou a Portugal em 1950.

 

João dos Santos criou, com colaboradores, a seção de Higiene Mental do Centro de Assistência Materno-infantil Sofia Abecassis, o Colégio Eduardo Claparède, os dois primeiros Centros Psicopedagógicos portugueses, um na Voz do Operário outro no Colégio Moderno, o Centro Infantil Helen Keller, a Liga Portuguesa de Deficientes Motores, a Associação Portuguesa de Surdos, a Liga Portuguesa contra a Epilepsia. Colaborou na criação do Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa de que foi o seu primeiro director. Aí existiram desde o início, equipas de serviço ambulatório no Dispensário Central e no Dispensário do Hospital Dona Estefânia, além da equipa das clínicas infantis do Hospital Júlio de Matos. Mais tarde foram criados outros serviços como o Laboratório de Electroencefalografia, Laboratório de Bioquímica, a Escola dos Cedros – serviço de adolescentes, a Casa da Praia – Externato de Pedagogia Experimental e a Unidade de Primeira Infância (UPI).

 

João dos Santos foi o inspirador da criação do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

 

Foi Professor na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação e na Escola Nacional de Saúde Pública.

 

Em 1984 foi agraciado pelo Presidente da República, General António Ramalho Eanes, com o grau de Comendador da Ordem de Benemerência.

 

Em 1985, a Faculdade de Motricidade Humana atribuiu a João dos Santos o título de Doutor Honoris Causa.

 

Faleceu em 1987.

 

in João dos Santos no Século XXI

http://joaodossantos.net/dados-biograficos-2/

 

in Infopédia - João dos Santos

http://www.infopedia.pt/$joao-dos-santos

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